Fundos documentais

FUNDOS INSTITUCIONAIS:

1ª Faculdade de Letras da Universidade do Porto

(1919/04/12 a 1928/08/27)

A 27 de Agosto de 1919, pela Lei nº861, foi criada a 1ª Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A primeira proposta de estabelecimento desta escola datava já de 1915 e tinha sido elaborada pelo Ministro da Instrução Pública, Doutor João Lopes Martins, catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Contudo, houve que esperar ainda quatro anos para que a lei consignasse a criação desta Faculdade.

Com efeito, a Faculdade de Letras do Porto surgiu como consequência de um conflito entre o Ministro da Instrução, Domingos Pereira, e a Universidade de Coimbra. A sua instituição na Universidade do Porto foi proposta de Leonardo de Coimbra, que a criou enquanto ministro.

Criada a Faculdade, dotada de corpo docente, admitidos os estudantes, teve uma actividade breve e intensa, pois a ameaça de extinção surgia logo em 1923, por motivos financeiros, acabando por ser suprimida pelo Decreto nº 15.365, de 12 de Abril de 1928, assinado pelo Ministro Alfredo de Magalhães. No entanto, os alunos matriculados obtiveram autorização para terminar as suas licenciaturas e as aulas funcionaram até 31 de Julho de 1931, data da realização do último exame.

Depois desta primeira tentativa, seria preciso esperar três décadas para que o ensino das Letras regressasse em pleno à cidade do Porto, por via da criação da actual Faculdade de Letras, em 1961.

Este fundo é constituído por 8 pastas, ou seja, 0,56 m.l. e contém documentação diversificada, podendo encontrar-se inscrições, requerimentos, certificados, mapas de alunos, pontos de exame, etc.

 

2ª Faculdade de Letras da Universidade do Porto

(1961/08/17 até à actualidade)

A 27 de Agosto de 1919, pela Lei nº861, foi criada a 1ª Faculdade de Letras da Universidade do Porto, acabando por ser suprimida pelo Decreto nº 15.365, de 12 de Abril de 1928, assinado pelo Ministro Alfredo de Magalhães. Depois desta primeira tentativa, seria preciso esperar três décadas para que o ensino das Letras regressasse em pleno à cidade do Porto, sendo restaurada, em 1961, pelo Decreto nº43864, de 17 de Agosto.

Iniciou as aulas no ano lectivo de 1962-63 com duas licenciaturas, História e Filosofia, e o curso de Ciências Pedagógicas que funcionou até 1974. Outros cursos de licenciatura foram gradualmente abrindo: Filologia Românica (1968), Filologia Germânica e Geografia (1972), Sociologia (1985), Estudos Europeus (1996), Jornalismo e Ciências da Comunicação (2000) e Ciência da Informação (2001). Em 1977, os cursos de Filologia deram lugar ao curso de Línguas e Literaturas Modernas, com múltiplas variantes. Em 1980, foram criadas, na licenciatura de História, as variantes de Arqueologia e História da Artes, que se vão autonomizar em 1999.

O ensino pós-graduado iniciou-se a partir de 1981 e até à presente data foram abertos diversos cursos de idêntico grau académico em todos os domínios científicos abarcados pelas unidades orgânicas da Faculdade.

Em 2006-07, e funcionando em paralelo com o sistema existente, a FLUP adere ao Tratado de Bolonha, introduzindo as suas normas nos 1º, 2º e 3º ciclo, sendo o Curso de Anglo-Americanos, o primeiro a aderir em pleno. No entanto, é em 2007-08, que a integração é feita em pleno, abrangendo todos os outros cursos.

O ensino ministrado visa a produção de conhecimento científico e a aquisição de competências, baseando-se numa troca de saberes, dirigida para a inserção no mundo do trabalho e para o empreendedorismo.

A FLUP pretende afirmar-se e ser reconhecida como uma escola de referência nacional e internacional, quer ao nível da educação e investigação científica, quer ao da criação, transmissão e difusão da cultura e ciência.

O fundo da Faculdade de Letras do Porto é formado pela documentação, essencialmente administrativa, gerada e recebida pelos diversos órgãos de gestão, departamento, serviços e unidades de investigação sediadas na instituição, no exercício das suas funções (1961 – até à actualidade). Encontra-se sob a custódia do SGIAP/ Arquivo Central e é constituído por 673,575 m.l. de documentação.

 

FUNDOS PRIVADOS:

A Faculdade de Letras, ao longo dos anos, tem vindo a receber doações de particulares, quer de bibliotecas quer de arquivos. E, é pois, neste âmbito, que o SGIAP/AC, recebe, trata e organiza, esta documentação com cariz histórico, tendo como finalidade promover a sua divulgação junto da comunidade académica em geral.

É, neste contexto, que apresentamos os fundos privados que estão sob a custódia da FLUP:

 

Professor José Alfredo Mendes de Magalhães (1870-1957) (disponível on-line)

O acervo pessoal de Alfredo Magalhães é constituído por um conjunto de documentos, 660 no total, que se divide entre 370 cartas (Série de Correspondência, Subséries Cartas Recebidas e Cartas Enviadas) e os restantes 290, que se dividem entre relatórios, regulamentos, recortes de imprensa, apontamentos manuscritos, menus, orações, exames médicos, etc. No entanto, e dado que a personalidade em questão, desenvolveu as suas actividades em vários sectores do panorama nacional e regional, pensamos que esta documentação seja uma gota num oceano imenso de documentação produzida por Alfredo Magalhães, mas manter-nos-emos atentos para a recolha de mais informação.

Apresentamos, o percurso de vida de Alfredo Magalhães sob a forma de uma cronobiografia abreviada, elaborada com base em estudos biográficos do produtor e em manuscritos deixados pelo autor.

Breve biografia:

1870 – Nasce, em Valença do Minho (S. Salvador de Gandra).

1889/90 – Ingressa na Academia Politécnica.

1889-90 – Funda, com Dinis Neves, a “Revista Académica".

1890 – Colabora em “O Debate – jornal da Academia do Porto”; – Adere ao Partido Republicano Português.

1890-1895 – Frequenta a Escola Médico-Cirúrgica.

1893 – Edita e dirige “O Debate”.

1895 – Acaba o curso de Medicina; Colabora no “Dyabo”.

1896 – Defende tese, intitulada Os milagres de Lourdes como terapêutica psicológica, sendo aprovado plenamente com louvor; Publica a tese.

1897-98 – Iniciou a sua carreira clínica, como facultativo municipal, e médico da Santa Casa da Misericórdia de Grândola.

1899-1900 – Frequenta a Universidade de Paris, exercendo clínica nos Hospitais de Saint Louis e Broca Pascal e especializando-se em Dermatologia e Sifiligrafia.

              1901 – Regressa ao Porto.

1902 – Faz concurso para Professor da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

1902-1910 – Pratica a actividade médica em simultâneo com a docência no ensino superior, como professor substituto, na Escola Médico-Cirúrgica e no Instituto Superior do Comércio Portuense.

1903 – Secretário interino da Escola Médico-Cirúrgica do Porto; – Edita e dirige “O Debate”.

1904 – Lança, com o Professor António Joaquim de Sousa Júnior, a revista mensal Porto Médico.

1906 – Funda, com outros médicos (Eduardo Santos Silva, Antunes Lemos, Júlio Vitória e Alberto Gonçalves) o posto Médico da Batalha, inaugurado em 16 de Abril.

1908 – Sócio-fundador da Liga de Educação Nacional.

1910 – Colaborou no Jornal dos Médicos; É eleito por Lisboa deputado do Partido Republicano Português ao Parlamento; Sucede a Duarte Leite na Direcção do diário “A Pátria”; Desempenha funções de Diretor da Penitenciária de Lisboa; Nomeado Comissário do Governo Provisório da República no Arquipélago da Madeira, aquando da epidemia de cólera.

1910-1911 – Assume o cargo de Governador Civil de Viana do Castelo.

1911 – Passa a professor efectivo da Faculdade de Medicina do Porto; Proclamado cidadão benemérito da cidade do Funchal, por serviços prestados como Comissário do Governo Provisório da República no Arquipélago da Madeira, durante a epidemia colérica; É eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte; Demite-se de Director da Penitenciária de Lisboa; Renuncia ao cargo de deputado por ter sido nomeado Governador-Geral de Moçambique; Assume o cargo de Governador-Geral da Província de Moçambique, por eleição unânime do Senado da República.

1912 – Parte para Moçambique em Janeiro de 1912; Promove a abertura do Hospital Miguel Bombarda, em Lourenço Marques, e adapta a Liceu o edifício do velho hospital; Regulariza a sua condição como maçon, na loja Cruzeiro do Sul, de Lourenço Marques, no entanto a sua iniciação foi feita na loja Fernandes Tomás, da Figueira da Foz, em data desconhecida.

1913 – Expulso do Partido Republicano Português (Democrático); Dirige o jornal O Rebate.

              1915-17 – Torna-se deputado independente por Moçambique.

              1917 – Regressa ao Parlamento.

1917-1919 – Exerce o cargo de Ministro da Instrução Pública; Com a reforma presidencialista passou a ser Secretário de Estado da Instrução Pública; Volta a exercer o cargo de Ministro da Instrução Pública, no Ministério de João Tamagnini Barbosa; Membro do Directório do Partido Nacional Republicano, havendo aderido à República Nova.

1918 – Toma posse do cargo de Ministro Interino da Marinha, por três períodos, em acumulação com a pasta do Ministério da Instrução.

1919-1942 – Actividade médica e docência na Escola Médico-Cirúrgica.

              1921 – Candidata-se a deputado presidencialista por Lisboa.

1924-1925 – Director da Faculdade de Medicina do Porto.

1926 – Reitor da Universidade do Porto até 1928; Apoia a implantação da Ditadura Militar; – Inaugura o Monumento a Júlio Dinis (02.12).

1926-1927 – Presidente do Ateneu Comercial do Porto.

1926-1928 – Regressa ao executivo, como Ministro da Instrução Pública do Ministério de António Óscar Carmona.

1932 – Presidente da Comissão Distrital do Porto da União Nacional; É-lhe atribuído o título da Grã-Cruz da Ordem de Militar de Santiago de Espada.

1933 – Exerce o cargo de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara do Porto.

1934-1936 – Exerce o cargo de Presidente da Câmara do Porto; Promove a conclusão da rede de saneamento básico da cidade, a criação da Maternidade Júlio Dinis, a criação do Abrigo dos Pequeninos, a aquisição municipal do Palácio de Cristal pelo município, etc.

1935-1937 – Exerce o cargo de Procurador à Câmara Corporativa.

1941 – Presidente honorário da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

               1957 – Faleceu no Porto.

1965 – Atribuição, por parte da Câmara Municipal do Porto, do seu nome a uma rua da cidade.

 

Professor Francisco Romano Newton de Macedo (1894-1944) (em tratamento)

Natural da cidade de Lisboa, nasceu a 6 de Novembro de 1894, aí cursou a Faculdade de Letras e se graduou como bacharel em Filosofia, com a dissertação "A Crise Moral e a Acção Pedagógica". Como professor de Filosofia no Liceu Central de Gil Vicente, em Lisboa, desde 1916, conheceu Leonardo Coimbra e com ele estabeleceu uma fértil convivência profissional e intelectual que acabaria por se transformar numa amizade duradoura.

Aquando da primeira passagem de Leonardo Coimbra pela pasta da Instrução Pública, Francisco de Macedo foi nomeado pelo Governo para um dos novos lugares de professor ordinário na Faculdade de Letras de Coimbra. Contudo, na sequência do conflito gerado pela criação da 1.ª Faculdade de Letras do Porto, solicitou a sua transferência para esta nova instituição, iniciando a carreira docente universitária a partir de 18 de Outubro de 1919.

Nomeado pouco depois Professor Ordinário do 6.º Grupo (Ciências Filosóficas) e, mais tarde, professor catedrático, ao abrigo do Estatuto da Instrução Universitária de 1926, teve a seu cargo a regência das cadeiras de História da Filosofia AntigaHistória da Filosofia MedievalHistória da Filosofia Moderna e ContemporâneaHistória da CivilizaçãoHistória das Religiões e de Psicologia Experimental. Por duas vezes eleito e nomeado para Bibliotecário da 1.ª Faculdade de Letras do Porto (1920-1929), serviu ainda como director interino durante o afastamento de Leonardo Coimbra para funções governativas. Em 1925, foi convidado para Chefe do Gabinete do Ministério da Instrução de João Camoesas. No final do ano retomou as funções docentes na Faculdade de Letras, tendo-lhe sido outorgado o grau de Doutor em Letras – Ciências Filosóficas no dia 2 de Dezembro.

Com o triunfo da Ditadura Militar, em 1926, foi eleito pelo Conselho Escolar da Faculdade como seu vogal no Conselho Superior de Instrução Pública. Aqui lutou contra as ameaças de encerramento da Faculdade de Letras que, no entanto, acabariam por triunfar com a publicação do Decreto n.º 15 365, de 12 de Abril de 1928. Manteve-se em funções nesta instituição até 31 de Outubro de 1930. Uma bolsa da Junta de Educação Nacional permitiu-lhe deslocar-se a Paris, onde se especializou em Psicologia Experimental.

De regresso ao país, já na qualidade de adido, prosseguiu os seus estudos e investigações até à colocação como professor provisório no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, em Novembro de 1933. Não obstante a sua reconhecida cultura e inteligência, as posições políticas que assumiu ditaram o seu afastamento do ensino oficial, acabando por leccionar em colégios particulares de Lisboa, cidade onde viria a falecer a 17 de Agosto de 1944.
(fonte: Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

A documentação existente neste Arquivo, consiste numa mala com manuscritos e rascunhos do autor, referentes à sua obra. Neste momento, encontra-se em fase de tratamento arquivístico.

 

1º Conde de Villas-Boas, Fernando de Magalhães e Menezes (1873-1951) (em tratamento)

Chefe do Nome e Armas dos Vilas Boas, Senhor do Paço dos Vilas Boas em Barcelos e do Paço de Airó, Conde de Vilas BoasBarão de Vilalva Guimarães, por falecimento de seu irmão José, representante genealógico do título de Conde de Alvelos (alvarás do Conselho da Nobreza de 30.3.1951), e de Visconde da Azinheira. Nasceu a 15.2.1873, no Paço de Vilas Boas, freguesia de Stª Maria Maior, Barcelos, e faleceu a 3.12.1951, estando sepultado na capela do Paço de Airó.

A sua vida foi ocupada pela sua carreira militar que realizou na Marinha. Fez o curso de Marinha na Escola Naval, e assentou praça, a 9.11.1889, passando a Aspirante de 2ª Classe, em 15.11.1890, e a Guarda Marinha a 5.11.1895.

Entre 24.1.1897 e 6.4.1897, participou na coluna de operações da Campanha dos Namarrais. Aí tomou parte nas operações de Naguem, a 3.3.1897 e três dias depois tomou parte na expedição de Ibrahimo, recebendo pelos seus serviços a Medalha de Prata Rainha D. Amélia.

Fez igualmente toda a Campanha de Gaza, entre 3.7.1897 e 8.9.1897, combatendo na batalha de Macontene, tendo recebido um louvor da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, por portaria de 10.12.1897, e novamente a Medalha de Prata Rainha D Amélia. No fim desta campanha é-lhe concedido o comando do Vapor “Chuabo”, a 20.9.1897, bem como o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, representando Fernando de Magalhães e Meneses a quarta geração de uma linhagem de cavaleiros desta ordem.

Pertencendo à guarnição do vapor “Neves Ferreira” tomou parte nas operações de Magaio da Costa de 1.7.1898 a 8.7.1898. Durante o ano de 1899, ocupa o cargo de Adido à Majoria General da Armada, e à Direcção Geral da Marinha, sendo nomeado ajudante de ordens interino do Director Geral da Marinha.

Realizou uma campanha em Macau entre 17.6.1900 e 4.3.1901, sendo louvado pelo modo “valente, digno, inteligente e patriótico” com que comandou a estação naval.

A 28.4.1901 recebeu guia para a Divisão Naval do Índico, passando a operar em Moçambique. Aí tomou parte nas operações do Barué em 1902, comandando a Lancha Canhoeira “Obuz”, tendo por esta última recebido novamente a Medalha de Prata Rainha D Amélia.

Foi nomeado a 26.1.1903 Intendente interino de Chinde, cargo que ocupará durante um ano. Em 12.12.1903 é nomeado Governador do distrito de Zambézia, cargo que ocupa até 29.2.1904. Entre 1905 e 1907 foi adido à Majoria General da Armada, e à Direcção Geral da Marinha, passando a 23.3.1907 ao Departamento Marítimo do Norte, sendo agraciado dois meses depois com o título de Conde de Vilas Boas.

A 1.4.1908 é eleito Administrador do Concelho de Barcelos, cargo que ocupará até 25.10.1910.

Com a implantação da República, sucedem-se um conjunto de requerimentos. Fernando de Magalhães e Meneses pede para residir na Casa da Faia, em Amarante, ou na Quinta do Cedro, em Coimbra. Simultaneamente pede licença ilimitada a 5.12.1910, e requer liquidação do tempo de serviço. Tinha estado ao serviço da Marinha durante 24 anos, 1 mês e 14 dias.

Ainda irrequieto, pede nova licença a 28.1.1911 para residir temporariamente no Estado de Amazonas, no Brasil. Em Junho desse ano é-lhe novamente concedido o pedido de regressar à Casa da Faia. Regressa do Brasil a 28 de Junho, apresentando-se na Majoria da Armada não pessoalmente mas por escrito, alegando doença. A 16.9.1911, pede finalmente a demissão de Oficial da Armada, concluindo um turbulento processo de transição política, decerto pautada por perseguições de vária ordem. Por isso se ausentou de Portugal, refugiando-se em Madrid, onde nasceu sua filha Maria José Mécia, e mais tarde em Lugo, onde nascem os restantes filhos. Voltou para Portugal por volta de 1920. Era membro do “Integralismo Lusitano”, organização que procurava restaurar a monarquia em Portugal, liderado por António Sardinha. Fazendo parte do comité central desta organização, Fernando de Magalhães e Meneses foi um dos signatários da declaração de 1922, segundo a qual o “integralismo Lusitano” se colocava à margem do Pacto de Paris, não tencionando promover a sua execução.

Foi reintegrado a 2.12.1931, na situação de reserva, uma vez finda a 1ª República, e após a promulgação do decreto que concedia reforma a todos os oficiais que tomaram parte em revoluções anteriores a 28.5.1926.

Enquanto afastado da armada exerceu diversos cargos, como Administrador do Concelho de Esposende, Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Presidente do Sindicato Agrícola de Barcelos, Presidente da Associação Comercial de Barcelos, Provedor da Stª Casa da Misericórdia de Barcelos, entre outros. Dedicou-se também a estudos genealógicos, de que lamentavelmente nada chegou aos nossos dias. Também compôs versos, sendo da sua autoria a cantiga “Rendilheiras, Rendilheiras”, escrita em 1946 para o Rancho da Praça das Rendilheiras de Vila do Conde.

O acervo documental tem pergaminhos medievais relativos a negócios jurídicos ocorridos na cidade e arredores, mas também uma grande variedade de documentos que se podem enquadrar na região Norte do país, onde a família deteve grande parte dos seus bens imóveis, durante pelo menos quatro séculos. Tem cerca de 17,75 m.l. de documentação e 38 m.l. de biblioteca. Encontra-se em fase de inventariação.

 

D. Sebastião Soares de Resende, I Bispo da Beira (1906-67) (em tratamento)

Natural da freguesia de Milheirós de Poiares, Concelho de Santa Maria da Feira, onde nasceu a 14 de Junho de 1906. D. Sebastião foi figura distinta do clero da diocese do Porto. Foi nomeado em 1943, logo iniciou uma actividade que se revelaria cheia de dinamismo de futuro. Impulsionou o ensino de base e abriu escolas para o secundário, quase inexistente na região. Criou paróquias e missões e fundou o Diário de Moçambique. Logo caracterizado pela independência política e capacidade de intervenção. A sua acção pastoral de promoção e valorização das populações indígenas não foi bem aceite pelas concepções políticas dominantes de então, em Moçambique e em Portugal, tendo sido “persona non grata” para os governantes. Publicou duas dezenas de Cartas Pastorais, de índole social, sempre de grande.

D. Sebastião participou no II Concílio do Vaticano (1962 a 1965), onde teve participação activa. Faleceu em 25 de Janeiro de 1967, aos 61 anos de idade.

O espólio de D. Sebastião Soares de Resende está disponível para consulta no SGIAP/ Arquivo Central da Faculdade de Letras do Porto, ali depositado por José Soares Martins, seu sobrinho. Este espólio consta de quatro secções: uma caixa com quatro pastas do Diário; uma caixa com quatro pastas contendo Diário, Viagem à América Latina, Palestras Quaresmais, Colaboração em Periódicos e Crónicas; uma pasta com agendas de 1957 a 1965 (à excepção de 1962 e 1966); e uma secção com maços e pastas contendo documentos vários. Totaliza 1,5 m.l.

 

José Capela (Dr. José Soares Martins) (em tratamento)

José Soares Martins (que usa o pseudónimo de José Capela) nasceu a 25 de março de 1932, em Santa Maria da Feira. Em 1954, formou-se em Teologia no Seminário do Porto.

Parte para a Beira (Moçambique), onde o seu tio era bispo, Sebastião Soares de Resende, e aí abdica da sua profissão de padre.

Passa a chefe da redação do Diário de Moçambique. Jornal de orientação política liberal e independente do governo da colónia. Mais tarde edita ainda a Voz Moçambicana.

Em 1963 funda a revista Economia de Moçambique. Com a morte de seu tio, regressa a Portugal.

Em 1970, torna-se editor do semanário Voz Portucalense.

Depois da independência de Moçambique, em 1978, é nomeado adido cultural junto da Embaixada de Portugal, em Maputo.

Como investigador, interessou-se pelo estudo sistemático do tráfico atlântico de escravos, publicando uma vasta bibliografia sobre este tema.

 Trata-se de um núcleo documental de pequenas dimensões:

- 1º maço: correspondência recebida (482 cartas)

- 2º maço: correspondência recebida (135 cartas)

- 5 pastas azuis com recortes de jornais.

 

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Data da última actualização: 2019-07-05
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